Se tem à volta dos 50 anos é altura de pensar muito seriamente em avançar, junto do seu médico de família, para o rastreio do cancro colorretal.
Também conhecido como cancro intestinal, é uma doença silenciosa cujos sintomas, como obstrução intestinal ou saída de sangue pelo ânus, só aparecem numa fase avançada da patologia, quando o tumor já se desenvolveu e cresceu. É, portanto, uma doença silenciosa.
O cancro colorretal é o 3º cancro mais comum e o cancro digestivo mais prevalente em Portugal. A doença afeta, sobretudo, homens com idade superior a 60 anos e é o tumor que mais mata no país.
A palavra-chave é prevenção e o rastreio do cancro colorretal a melhor forma de o diagnosticar precocemente. Perceba melhor.
Rastreio do cancro colorretal: o que precisa de saber
Por se desenvolver maioritariamente numa fase mais avançada da nossa vida, devemos ao longo dos anos ter uma série de cuidados, que contribuem na prevenção deste e de outros tipos de cancro ou doenças.
Mesmo não tendo nenhum sintoma ou fator de risco associado a esta doença (como ter algum familiar que já tenha sofrido de cancro), é importante ter um estilo de vida saudável, reduzindo o consumo de carnes vermelhas e de gordura e aumentando a ingestão de vegetais e de fibras, praticando exercício físico e não fumando.
No caso particular deste tipo de cancro, há outras formas possíveis de prevenção e de diagnóstico precoce que devem ser levadas a cabo com frequência, sobretudo entre os 40/50 e os 75/85 anos de idade, mesmo na ausência de qualquer sintoma suspeito de cancro colorretal:
- toque retal;
- exame às fezes – conhecido como “sangue oculto”, este exame permite fazer um diagnóstico precoce da doença (em caso de resultado negativo, este procedimento deve ser repetido a cada 1 a 2 anos, para despiste);
- colonoscopia – este é o único exame que permite perceber se existem pólipos no intestino e, assim, mais do que diagnosticar a doença, este procedimento pode prevenir o desenvolvimento do cancro colorretal (deve ser repetido a cada 10 anos).
Nota: em alguns casos, em alternativa, o rastreio do cancro colorretal através da colonoscopia pode ser substituído pelo clister opaco combinado com a retossigmoidoscopia flexível, sendo que estes exames devem ser repetidos a cada 5 anos.
O cancro colorretal tem uma característica distinta de outros tipos de cancro. As suas lesões intestinais são facilmente detetadas nos exames e, se ainda não tiverem evoluído para tumor, podem ser retiradas, evitando assim que o cancro se desenvolva.
O pólipo demora cerca de 10 anos a formar-se. Logo, se numa colonoscopia não houver quaisquer sinais de lesões, então em princípio o paciente não terá problemas relacionados com o cancro colorretal na década seguinte.
Importa explicar que a colonoscopia para o rastreio do cancro colorretal permite visualizar o interior do intestino grosso, usando um endoscópio (tubo fino e flexível com uma câmara na extremidade, que possibilita a observação do interior dos órgãos). Este exame pode ser feito com sedação ou anestesia.
O rastreio do cancro colorretal e a remoção de pólipos reduzem até 90% o risco de desenvolver cancro, quando recorrendo à colonoscopia.
Cancro colorretal: informações essenciais
Fatores de risco
Há algumas condições que podem favorecer o desenvolvimento do cancro colorretal, como é o caso de:
- idade superior a 60 anos;
- história pessoal de cancro da mama, útero ou ovário;
- doença inflamatória intestinal (colite ulcerosa ou doença de Crohn);
- história familiar ou pessoal de pólipos ou de cancro colorretal;
- má alimentação;
- sedentarismo;
- obesidade;
- alcoolismo;
- tabagismo.
Sintomas
Os sintomas associados a esta doença podem não significar que estamos perante um tumor. No entanto, são suficientes para procurar um médico para um rastreio do cancro colorretal, devendo ter uma atenção especial quando se verifica:
- uma mudança nos hábitos intestinais que tinham um determinado ritmo e deixaram de funcionar ou passaram a funcionar em demasia;
- saída de sangue pelo ânus;
- perda de peso súbita e sem razão aparente;
- dor.
Tratamento
O tratamento vai depender da fase em que se encontra o tumor. Se for numa fase inicial, é possível ser tratado através de cirurgia; enquanto, em fases mais avançadas, a terapêutica pode passar pela radioterapia ou pela quimioterapia.