Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
01 Abr, 2025 - 16:30

Dia das Mentiras: como começou esta tradição e como se celebra na Europa?

Cláudia Pereira

A 1 de abril celebra-se o Dia das Mentiras. Descubra as origens curiosas desta tradição e como os europeus a celebram com partidas, peixes de papel e histórias inventadas.

Não é feriado. Não é sagrado. Mas é dos dias mais esperados por quem adora pregar partidas. A 1 de abril, tudo vale… ou quase. É o Dia das Mentiras, ou Dia dos Tolos. Um dia onde a verdade tira folga e a imaginação ganha asas.

Mas de onde vem esta tradição? E como é que se celebra pelo continente europeu? Vamos por partes (sem pregar nenhuma mentira, prometido).

O Dia das Mentiras explicado com verdade

A origem é debatida. Há quem aponte para Roma antiga, outros para a França medieval. Mas todos concordam: começou há muito tempo.

Na Roma antiga, havia o festival Hilaria, em honra da deusa Cibeles. Os romanos mascaravam-se, faziam piadas e riam-se uns dos outros. Uma espécie de Carnaval, mas com licença para zombar.

Mais tarde, na França, o Ano Novo celebrava-se a 1 de abril. Quando o calendário gregoriano entrou em vigor, a data mudou para 1 de janeiro. Quem se esqueceu… foi gozado. Nasceu o “tolo de abril”.

A primeira referência escrita ao Dia das Mentiras é de 1561. Um poema flamengo narra as desventuras de um criado enganado por um senhor bem disposto. Uma história com ritmo, rima… e zero compaixão.

Europa: uma viagem pelas mentiras

Cada país dá o seu toque especial à tradição. Vamos ver como os europeus celebram o dia mais mentiroso do ano.

França, Bélgica, Suíça e Itália

Aqui o objectivo é simples: colar um peixe de papel nas costas de alguém sem ser apanhado. Depois grita-se “Poisson d’avril” ou “Pesce d’Aprile”. Uma brincadeira com sabor a mar e cheiro a infância.

Inglaterra

Só se pode brincar até ao meio-dia. Quem continuar depois disso… é o verdadeiro tolo. Regras são regras, mesmo quando se mente.

Escócia

Dois dias de festa. O primeiro para partidas, o segundo para colar caudas nas costas dos amigos. Tudo em nome do “gowkie”, o cuco símbolo do tolo.

Irlanda

Envia-se alguém de um lado para o outro com uma carta inútil. Uma espécie de rally de embaraço. A piada está na persistência do enganado.

Países Baixos

Aqui, atira-se arenque aos vizinhos enquanto se grita “haringgek”. É literal. E um pouco malcheiroso.

Alemanha

Contam-se histórias inventadas — quanto mais absurdas, melhor. Chamam-se “Aprilscherz”. Riem-se. Depois pedem desculpa (ou não).

Grécia

Se enganar alguém neste dia, é sinal de sorte para o resto do ano. E quem não quer um bónus de sorte?

Polónia

O alerta é claro: “Tenha cuidado — pode estar a ser enganado!” Uma frase que devia vir colada ao despertador neste dia.

Espanha

Já em Espanha, o dia das partidas é a 28 de dezembro. Chama-se Dia dos Santos Inocentes. E por lá, ninguém escapa.

Portugal

Por cá conta-se uma petazinha aos amigos ou à família, dá-se uma gargalhada e o dia continua como se nada fosse. As partidas são geralmente simples: dizer que saiu uma nova nota de 30 euros, fingir que há aulas ao sábado ou anunciar que o Benfica contratou o Cristiano Ronaldo. Pequenas mentiras, fáceis de desmontar, mas boas para animar a conversa.

O Dia das Mentiras não é só uma desculpa para fazer piadas. É um reflexo cultural, uma tradição que une diferentes países em torno do riso, da criatividade e, claro, de partidas bem montadas.

Afinal, rir faz bem. Mesmo que seja às custas de um peixe colado nas costas.

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