Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
04 Abr, 2025 - 20:00

IRS 2025: porque não deve entregar nos primeiros 15 dias

Cláudia Pereira

Entregar o IRS com calma pode evitar erros, atrasos e correções. Os primeiros dias do prazo nem sempre são a melhor escolha.

Abril chega e, com ele, a vontade de despachar o IRS o mais depressa possível. Os contribuintes ligam-se ao Portal das Finanças logo no primeiro dia, cheios de entusiasmo. Afinal, quanto mais cedo se entrega, mais cedo se recebe o reembolso… certo?

Nem sempre. Na verdade, há boas razões para abrandar o passo. Entregar o IRS nos primeiros 15 dias do prazo pode parecer uma atitude eficiente, mas pode também sair caro — ou, pelo menos, dar mais trabalho.

Os riscos de entregar o IRS logo nos primeiros dias

1.

O Portal das Finanças precisa de respirar

Nos primeiros dias da campanha, o site do IRS é o equivalente digital de uma bomba de gasolina na véspera de um feriado. Milhares de acessos simultâneos provocam lentidão, falhas de carregamento e, por vezes, aquele clássico erro técnico que ninguém entende.

A pressa pode transformar-se em frustração. Um clique que não regista, uma página que não carrega. Tudo isto aumenta o risco de falhar passos importantes na submissão.

2.

Os dados podem estar incompletos

Sim, a maioria dos dados já vem pré-preenchidos. Mas isso não significa que estejam certos — ou sequer completos. Algumas entidades demoram mais a comunicar rendimentos, despesas ou benefícios. Quem entrega cedo, pode estar a basear-se em informação ainda desactualizada.

Resultado? Uma declaração errada. E depois, lá vem a necessidade de substituir, corrigir ou justificar.

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3.

O sistema de validação ainda está em modo “teste”

Nos primeiros dias, o sistema de validação da Autoridade Tributária ainda pode estar a afinar os detalhes. Erros que hoje passam despercebidos, podem ser assinalados amanhã. E o que parecia uma entrega limpa, transforma-se numa dor de cabeça com retificações.

Quem espera algumas semanas, apanha um sistema mais estável e fiável. É como entrar num comboio depois de garantir que os carris já foram verificados.

4.

Entregar cedo não garante reembolso rápido

Há um mito que persiste: entregar o IRS nos primeiros dias acelera o reembolso. Na prática, isso depende de vários factores — e a ordem de reembolso não segue necessariamente a ordem de submissão.

Na verdade, declarações que entram mais tarde, mas com menos erros, podem ser processadas mais rapidamente. Entregar com calma pode ser mais eficaz do que entregar à pressa.

5.

Mais tempo para pensar, menos margem para errar

Abril, maio e junho são três meses. Não é preciso resolver tudo na primeira quinzena. Quem entrega mais tarde ganha tempo para:

  • Rever deduções;
  • Confirmar rendimentos;
  • Verificar se há despesas em falta;
  • Optar (ou não) por tributação conjunta.

Com tempo, há espaço para comparar cenários, tirar dúvidas, e tomar decisões mais informadas. Tudo isto com menos stress e menos probabilidades de erro.

Calma, estratégia e um IRS sem dores de cabeça

O IRS não é uma corrida. Não há medalha para quem entrega primeiro. Pelo contrário, quem se atira de cabeça nos primeiros dias corre mais riscos: erros, dados em falta, reembolsos adiados e, em casos extremos, coimas. Esperar duas ou três semanas pode ser a escolha mais sensata — e a mais eficaz.

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